Uma das coisas que tenho gostado de fazer ultimamente é tingir fios de algodão para usar nos meus trabalhos. Essa paixão surgiu quando minha filha Bruna disse que queria fazer blusas tie-dye combinando para nós.
E lá fui eu pesquisar como fazer tie-dye (bendita internet, como devia ser difícil para as mães em outras épocas). É por essas e outras que digo que a Bruna está sempre me ensinando coisas novas.

E não é que eu adorei tingir as camisetas? E tingi também toalha, roupinhas de bonecas, paninhos diversos.
Até que resolvi testar tingir fios e também peças prontas de crochê.

Me apaixonei por poder customizar as cores do meu jeito, mas principalmente por poder deixar ao acaso como ficará os formatos das manchas, a transição de cores, porque eu adoro isso de ser algo único. Inclusive é por isso que eu adoro usar fios mesclados e estampados, porque o resultado final será único, mesmo que você use a mesma receita, não conseguirá repetir outra peça igual. E artesanato é isso, né, gente, se é pra fazer tudo igualzinho em série, melhor comprar um produto industrializado.

Mas voltando ao feijão. Usei muito corantes artificiais e tintas, testei cores e amei o processo. E então resolvi testar tingimentos naturais. Foi aí que vi que o feijão preto dá um tingimento interessante, mas nas minhas pesquisas eu li que a cor seria um azul clarinho, já na minha experiência ficou lilás, então o feijão preto que usamos ao no Brasil deve ser de outro tipo. Vou contar pra vocês o passo a passo e depois me contem que cor conseguiram.
Primeiro deixei o feijão de molho por umas 4 horas. Eu já ia fazer o feijão mesmo (aqui no Rio costumamos usar o feijão preto no dia-a-dia), mas geralmente não deixo de molho, vai direto pra pressão.

Depois escorri o feijão reservando a água que já estava bem roxinha numa panela, e aqueci até quase ferver.

Com a ajuda de uma pinça coloquei o barbante cru já umedecido na água quente e misturei bem. Depois deixei descansar por mais umas 4 horas lá dentro, mexendo de vez em quando para tingir todas as partes.

Por fim, enxaguei os fios até a água sair transparente e torci para sair o excesso de água. Nesta etapa cuidado para não danificar o fio, não esfregue nem use muita força. Pendurei pra secar no varal, na sombra.

O resultado foi esse, um fio num tom lilás bem delicado. Chamei de lilás-feijão. Gostou?

Ah, não fica cheiro nenhum de feijão, não se preocupe. E a vantagem é que a água do feijão não mancha a pele nem as coisas, já com a tinta precisamos ter muito mais cuidado para não respingar, usar luvas e tal.
Já estou aqui pensando o que fazer com meu fio lilás-feijão, e quais as cores posso conseguir com outros tipos de feijão.
Você já usou tingimentos naturais? Me conta nos comentários como foi. Se quiser que eu teste algum outro pra mostrar o resultado, é só pedir.
Neste projeto usei barbante de algodão cru 24 fios e 1/2 kg de feijão preto.